segunda-feira, 7 de junho de 2010
Apresentação prolixa e desnecessária
Pra quem não me conhece, muito prazer, Camila. Mas pode me chamar de Madame TPM. Ou de filha da puta, dependendo do que fiz pra você. Claro que vai ter um retorno e provavelmente vou chamar pencas de amigas que tomam activia pra cagar na sua porta, além de colocar o seu telefone no chat do uol, fazer uma assinatura da G magazine no seu nome e mandar pro endereço do seu trabalho além de passar 4 meses enviando pizzas que você não pediu. Sem paga-las, óbvio.
Eu não vim aqui pra contar o que eu comi no almoço. Ou pra falar o tanto que amo meu namorado imaginário Antenor. Não vou postar gatinhos cutes, tirinhas pseudo-feministas como Radical Chick e nem conselhos pra sua vida amorosa. Até porque não tenho uma. Todo o amor que sinto pelos meus bofes atuais é vomitado no dia seguinte junto com litros e litros de cerveja e pinga barata. Só volta no próximo porre. E agradeço por não terem estúdios de tatuagens perto de bares, ou eu seria uma página de agenda de adolescente, cheia de corações e nomes de gente que daqui a dois anos você não lembra quem é.
Mas eu nem sempre fui assim.
Quando eu ganhei a minha primeira barbie foi um dos dias mais felizes da minha vida. Ela era linda, tinha uma ferrari, puro loosho e sedução. Fomos felizes por anos. Ganhei outras barbies que eram só coadjuvantes, mas éramos todas amigas. Até que um dia eu ganhei um Ken de algum infeliz. Como é óbvio que as Barbies eram anoréxicas e não comiam, elas não tinham uma cozinha. Resolvi complementar minha coleção com acessórios do Ken. O Ken simplesmente não tem acessórios. Comprei a cozinha da Barbie mesmo, fazer o que...
E lá estava o Ken. Comendo na cozinha da Barbie, andando na ferrari dela, dormindo na cama dela, enfim o Ken não prestava simplesmente pra nada. Ele poderia ser um michê, mas ele é anatomicamente incorreto. O ken era só um pária desprovido de um pinto. E a partir daí desenvolvi a tal da misandria (não sabe o que é? googla bitch). Era uma criança com pavor de homens. Não porque as amiguinhas pressionavam, ou porque eles grudavam chiclete no meu cabelo. Porque eu vi que eles simplesmente não prestavam pra nada. Tudo puta.
Com a adolescência as coisas mudam. Virei feminazi, não mais misandrica, mas ainda assim radical, e só não queimava sutiãs em praça pública porque meus sutiãs eram caríssimos e seguravam meus peitos melhor que qualquer macho da vida.
Confesso que às vezes eu tinha umas vontades absurdas de lavar cuecas, mas tomava uma cerveja, fumava um cigarro e passava.
Um dia eu acordei num desses surtos de Amélia, tomei uma cerveja e não passou. Tomei 20, fumei 3 carteiras de cigarro, recorri ao meu último recurso - coçar meu saco invisível - e nada. Entrei em pânico. Dei dez reais pro garçom pra poder lavar a louça do boteco. Quando não tinha mais nada pra limpar, lavar ou servir fiquei histérica e fui expulsa do bar. Mas só fui embora com a promessa de que ele traria uma pilha de roupas dia seguinte pra eu lavar.
Quando consegui me acalmar resolvi analisar a letra da bendita Amélia. Porra, tanto encosto pra ter, fui ter logo esse...
Às vezes passava fome ao meu lado
E achava bonito não ter o que comer
Oras, eu faço a dieta do leite 3 vezes por mês, não deve ser difícil.
Amélia não tinha a menor vaidade
Amélia é que era mulher de verdade
Me conformei com meu estado de Amélia. Passei 1 ano, 5 meses e 8 dias com o encosto da bendita Amélia. 1 ano e 5 meses sem discutir relação, sem pegar DST, sem depenar frangos aos domingos com a (ex)sogra, sem chorar noites inteiras, parece perfeito, mas a abstinência é mega entediante... Acho que preferia ter o encosto da Geni, aquela da pedra (é crack não, seu nóia, pedra mesmo). Não que seja ruim. Amava minha vida de Amélia. Adorava cuidar das pessoas, mesmo que em 90% do tempo elas não percebessem que a comida não brota da panela e que o chão não é auto-limpante, e que eu fazia um puta esforço pra receber com um sorriso no rosto quando queria sair quebrando vassouras. No final valia a pena. Mas cansa. Todo mundo quer reconhecimento, e quando você não tem e após todo o seu esforço te criticam, ahhhh meu bem... aí tá pedindo. É o balde de sangue de porco da carrie a estranha no baile da formatura. Você treme... Você fica puta... Você surta.
Pois é baby, virei biscate. Há mais ou menos uma semana. E esse blog é pra comemorar isso. Comprei o "the best of Gaiola das Popozudas", desenterrei toda minha auto estima que estava embaixo da pilha de roupa pra lavar e tô na pista. Sem pegar ninguém porque só vim pra beber. Mas cansei de ser sexy é last week. Eu simplesmente cansei de ser Amélia.
Obrigada a todos os que contribuíram pra isso, de forma boa ou não. Não vou citar nomes porque tenho medo de ser injusta e esquecer alguém. Mas fica aqui o meu beijo especial pro bofe que chamarei carinhosamente de "Gota D'água".
Às vezes um coração vagabundo transforma alguém em uma vagabunda sem coração. E o ciclo se repete forever.
Kisses bitch. Até o nosso próximo porre.


1 comentários:
testando alô som, alô som, alonso...
21 de junho de 2010 às 16:36Postar um comentário